Males menores

 
MALES  MENORES

Emmanuel
          Maldade é sempre treva no coração, que nos cabe evitar a benefício dos outros e em favor de nós mesmos.
          Entretanto, nos chamados males da Terra, é indispensável discernir as ligações do Senhor nos mínimos ângulos de cada dia, para que lhes percebam a valiosa função na garantia do bem.
          Observemos a natureza.
          Quase sempre, a plantação é amparada pelos detritos do campo para atingir a produção desejável.
          Para que o leito do rio se não desfaça, atendendo aos requisitos do charco, a dureza da pedra e a secura da areia lhe defendem a segurança.
          O minério anônimo, para entrar no campo das formas, não prescinde do fogo que lhe plasma as figurações.
          E o próprio pão que regala à mesa é sempre um fruto da bondade da vida, filtrado através da dilacerações incontáveis.
           Aprendamos a receber os males menores que nos asseguram paz e triunfo sobre os grandes males do mundo.
          Rara porcentagem das súplicas que sobem da Terra ao Céu recolhe, de retorno, a assistência precisa, na forma imediatista de alegria ou de reconforto.
          Quase todas, para alcançar o objetivo a que se propõem, obtêm do Senhor os males menores por respostas providencial e oportuna.
          Aqui, é uma enfermidade-socorro que te preserva o espírito contra o assalto das tentações.
          Ali, é um obstáculo-benção que te impede a adesão à irresponsabilidade e à loucura.
          Além, é um amor-ferramenta que te obriga ao sacrifício constante, na sublimação de ti mesmo.
          Acolá, é um desencanto-auxílio, constrangendo-te ao reajuste da própria alma.
          Adiante, é uma dificuldade-luz, impelindo-te à comunhão com as Esferas Superiores.
          Abençoemos as pequenas aflições e os humildes tropeços da estrada, de vez que a luta bem vivida e o trabalho bem realizado constituem os únicos recursos de ascensão ao verdadeiro bem.
          Muitas Almas com os bens aparentes do mundo compram apenas desilusão e tragédia, amargura e arrependimento, enquanto que muitas outras se elevam diariamente da vida física às culminâncias da Luz, conduzidas pelos supostos males que lhes minavam a passageira existência.
          Recordemos a cruz de Cristo...
          Quando se ergueu, diante dos homens, era humilhação e derrota, mas, aceita com amor e renúncia, converteu-se em caminho de paz e ressurreição.

Do livro Cura - Autores Diversos - Psicografia de Francisco Cândido Xavier
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Posted by Centro Espírita Grupo Fraternidade e Luz

Por que ter filhos?



Por que ter Filhos? 


Educar exige esforço. Quem o diga os pais e em especial as mães que de um modo
geral ficam mais horas com a criança. É uma tarefa árdua com certeza.

Há dias em que a irritação atinge o auge. São aqueles em que as crianças parecem
ter acordado com o fiel compromisso de nos atormentar.

É em momento assim que se pode explodir com a frase. Ai, meu Deus, porque eu fui
ter filho?

A frase cai como uma bomba sobre um pequeno traquinas, esperto e disposto a todas
as brincadeiras.


Ao ouvir isso ele pode se sentir rejeitado, sem lugar no mundo responsável por uma
situação que, em verdade, não criou.

É todo um conjunto de circunstâncias que nos leva a desabafar desta forma.

É a preocupação com os afazeres domésticos, os compromissos profissionais em que
somos cobrados pela produtividade e desempenho.

É o dinheiro que falta para cobrir todas as despesas. E, para completar, um dia de
chuva após o outro e as crianças gritando tirando tudo do lugar, correndo pelos
quatro cantos da casa sem parar.

O desabafo tem outras maneiras de ser expressado e outros momentos também.

Quando chegam as mensalidades da escola, quando nos damos conta que há
necessidade de comprar novos agasalhos, calçados, um livro novo.

De todo modo, para os filhos que ouvem, o sentimento que é passado é o de
rejeição. Eles são uns estorvo na vida dos pais. Um peso. Melhor que não 
tivessem nascidos.

Como o fato não é isolado e único, eles ouvirão mais de uma vez essa ou aquela
frase afirmando o mesmo.

E crescerão crianças tristonhas, sentindo-se demais em todo os lugares. Terão
possibilidades de se tornar adultos ensimesmados, retraídos com medo de se
achegar às pessoas por se considerarem não amados.

Em suas amizades, poderão enfrentar dificuldades, acreditando-se a mais em
qualquer circunstância.

A palavra tem força criadora.

Com ela podemos produzir a ventura ou a infelicidade. Podemos construir o bom
e o belo, ou a maldade.

Pensemos nisso no contato com nossos filhos. Reflitamos antes de nos expressarmos
e não nos permitamos inconsequências em nossas palavras.

As crianças devem ser educadas, receber disciplina. Para tal bastam as expressões
da coerência a explicação do bom senso a paciência das horas.

Recordemos que até hoje as palavras do Cristo nos são repetidas diariamente,

através das mensagens dos imortais das páginas dos Evangelhos, dos exemplos
edificantes. E ainda assim, permanecemos refratário, pouco ou quase nada
assimilando.

E Deus, nosso Pai que nos criou para a alta destinação da perfeição nunca nos
diz que somos um estorvo na criação, por mais que erramos, por mais rebeldes
que sejamos diante do Seu amor.

Tudo porque a mensagem da educação é de amor e de renúncia, que sabe
esperar no tempo e melhoria do ser amado.

A palavra nos conduz aos mais diversos estados d'alma.

Pela palavra podemos iluminar caminhos em sombra, traçar veredas de segurança,
acalentar quem se aninha em corpos minúsculos à busca de carinho e educação.

Pela palavra podemos criar estados de otimismo e lições de amor.

Por utilizar a palavra com sabedoria, o Senhor Jesus foi denominado o verbo Divino.
Suas expressões comoveram a Terra e ensejam até hoje a elaboração de um sem
números de obras que convidam a criatura ao amor.


Texto do Livro - Sol de Esperança - Divaldo Pereira Franco/Diversos Espíritos
sábado, 11 de janeiro de 2014
Posted by Centro Espírita Grupo Fraternidade e Luz

Transição planetária



              TRANSIÇÃO PLANETÁRIA

                       


“Emmanuel afirma que a Terra será um mundo regenerado por volta de 2057. Cabe, a cada um, longa e árdua tarefa de ascensão. Trabalho e amor ao próximo com Jesus, este é o caminho.” em Plantão de Respostas – Pinga Fogo II – Francisco Candido Xavier, 1995. 

    Vive-se, na Terra, o momento da grande transição de mundo de provas e expiações, para mundo de regeneração.

     Mais do que nunca, existe um convite para que o ser humano mude seu comportamento e abandone seus vícios em detrimento da justiça, do dever, da ordem e do amor.

      Como espírito em processo de crescimento intelecto-moral, o ser humano, após desenvolver o instinto, a inteligência e a consciência, caminha agora rumo à intuição. E pouco a pouco a elevação moral acontece, impulsionando o ser humano na direção da sua felicidade plena.

       Mesmo com as dificuldades da carne, que o distanciam das emoções sublimes do amor, o Homem deve enfrentar as enfermidades, na maioria das vezes criadas por ele próprio, sempre trabalhando para obter novas experiências que lhe permitam avançar. E deve evitar os embates infelizes geradores do ressentimento, do ódio e do desejo de desforço.

       O progresso, no entanto, é algo de que não podemos fugir. E muitas vezes, somente no impacto do sofrimento o Homem é capaz de despertar para compreender quão indispensável lhe é a aquisição da paz e a conquista do bem-estar... É no momento de dor que o Homem muitas vezes dá-se conta dos males praticados e dos prejuízos causados a outros, nascendo em si uma vontade de recuperar-se e de auxiliar aqueles que necessitam.

       É preciso despertar e desenvolver nossos bons sentimentos a serviço do progresso. Pois mesmo que ainda predominem situações arbitrárias e perversas, lentamente, vemos florescer os primeiros sinais desses sentimentos bons. E é exatamente esta contradição, que a grande transição que ora tem lugar no planeta irá modificar.

       Aqueles que insistirem em persistir na indiferença pela dor de um irmão, na criminalidade, na extorsão, no suborno, tripudiando sobre as aflições do próximo, comprazendo-se na luxúria e na drogadição, na exploração indébita de outras vidas, não encontraram mais meios de permanecer na Terra, sendo exilados para mundos inferiores, onde irão ser úteis limando as arestas das imperfeições morais, a fim de retornarem, mais tarde, ao seio generoso da mãe-Terra que hoje não quiseram respeitar.

        Muitos acontecimentos trágicos sacudiram a Terra e os seus habitantes, a fim de despertar os últimos para as responsabilidades para consigo mesmos e em relação à primeira. Desse modo, as grandes calamidades de uma ou de outra procedência têm por finalidade convidar a criatura humana à reflexão em torno da transitoriedade da jornada carnal em relação à sua imortalidade.

        As dores que decorrem dessas calamidades tem como objetivo fazer a Humanidade progredir mais depressa. Eis, portanto, o que vem ocorrendo nos dias atuais.

         A Terra sofre hoje com diversos transtornos depressivos, com as drogas, com o sexo desvairado, com os crimes estarrecedores, com o desrespeito às leis e à ética, com a desconsideração pelos direitos humanos, pelos animais e pela Natureza... Chega-se ao máximo desequilíbrio, tornando-se necessária a interferência divina, a fim de que aconteça a grande transformação de que todos temos necessidade urgente.

          Espíritos de outra dimensão e apóstolos da caridade no plano espiritual também chegam ao planeta Terra para auxiliar nessa transformação do planeta. Buscam modificar a atmosfera terrestre, alterando as atuais paisagens aflitivas e facilitando o estabelecimento do Reino de Deus em nossos corações.

Roberta Halpern




O texto apresentado acima foi escrito com base no livro Transição Planetária, de Divaldo Pereira Franco, pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda. Editora Alvorada, 2010.

Muito esclarecedor e revelador, o livro é sem dúvida uma ótima opção de leitura para aqueles que se interessam pelo tema. 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Posted by Centro Espírita Grupo Fraternidade e Luz

Solidão aparente

     

      Em meados de 1932, o “Centro Espírita Luiz Gonzaga” estava reduzido a um  quadro de cinco pessoas, José Hermínio Perácio, Dona  Carmem Pena Perácio, José Xavier, Da. Geni Pereira 
Xavier e o Chico.  
       Os doentes e obsediados surgiam sempre, mas  logo depois das primeiras melhoras, desapareciam  como por encanto.   Perácio e senhora, contudo, precisavam  transferir-se para Belo Horizonte por impositivos da  vida familiar. 
       O grupo ficou limitado a três companheiros. Dona Geni, porém, a esposa de José Xavier, adoeceu e a casa passou a contar apenas com os dois irmãos. 
       José, no entanto, era seleiro e, naquela ocasião, foi procurado por um credor que lhe vendia couros, 
credor esse que insistia em receber-lhe os serviços noturnos, numa oficina de arreios, em forma de pagamento.  Por isso, apesar de sua boa vontade, necessitava interromper a frequência ao grupo pelo menos por alguns meses. Vendo-se sozinho, o médium também quis ausentar-se. 
 Mas na primeira noite em que se achou a sós no Centro, sem saber como agir, Emmanuel apareceu e disse: 

 – Você não pode afastar-se. Prossigamos em serviço. 
 – Continuar como? Não temos frequentadores. 
 – E nós? – disse o espírito amigo. – Nós também precisamos ouvir o Evangelho para reduzir nossos erros.  E, além de nós, temos aqui numerosos desencarnados que precisam de esclarecimento e consolo. Abra a reunião na hora regulamentar, estudemos juntos a lição do Senhor, e não encerre a sessão antes de duas horas de trabalho.
      Foi assim que, por muitos meses, de 1932 a 1934, o Chico abria o pequeno salão  do Centro e fazia a prece de abertura, às oito da noite em ponto. Em seguida, abria “O Evangelho Segundo o Espiritismo” ao acaso e lia essa ou  aquela instrução, comentando-a em voz alta. 
 Por essa ocasião, sua vidência alcançou maior lucidez. Via e ouvia dezenas de almas desencarnadas e sofredoras que iam até o grupo, à procura de paz e refazimento. 

Transcrito do Livro "Lindos Casos de Chico Xavier" de Ramiro Gama.
domingo, 5 de janeiro de 2014
Posted by Centro Espírita Grupo Fraternidade e Luz

O trabalho


Após a tensão experimentada no trânsito sufocante, chegas
invariavelmente ao local de trabalho com mau humor, cansaço ou
indisposição.
 
Relacionas então as necessidades que deves suprir, e sofres
sob a conjuntura que se te impõe, no trabalho diário.
Vês outros indivíduos que parecem prósperos e felizes, usufruindo
benefícios da vida, que nunca te chegaram, e a amargura
começa a aninhar-se no teu sentimento doído.
*
Evita cair no desalento, face à insinuação falsa.
O trabalho é dom da vida, que dignifica e mantém o homem.
Em toda parte o trabalho se impõe como lei mantenedora do
equilíbrio.
 
Sem ele tudo retornaria ao caos do princípio, e os objetivos
superiores naufragariam no tédio e na ociosidade doentios.
Busca, portanto, motivação para fazeres bem o teu trabalho,
renovando-te nele e nele colocando os teus melhores empenhos,
de modo a te enriqueceres de justa gratificação emocional em
relação ao teu maravilhoso meio de ganhar com nobreza o pão
diário."
 
("Episódios Diários", Joanna de Ângelis/Divaldo Franco)
sábado, 28 de dezembro de 2013
Posted by Centro Espírita Grupo Fraternidade e Luz

Envelhecimento-quando a idade chega

       


  Para entender esse artigo devemos a priori entender o que é ser “idoso”, quando chegamos à chamada “terceira idade”.
        A meia-idade(1) é considerada para alguns pesquisadores(2), em termos cronológicos, a vida adulta intermediária como sendo dos 45 aos 65 anos; assim, a partir desta faixa etária o ser humano é considerado “idoso” ou integrante da “terceira idade”.
       Sabemos que envelhecer é um processo que, de fato, começa quando se é gerado e move-se inexoravelmente através de toda a vida. No entanto, depois dos cinquenta anos de idade, ordinariamente, o processo é acelerado. Várias mudanças ocorrem na vida do homem nessa idade. Essas mudanças se dão na vida física, emocional, intelectual e social. Do ponto de vista fisiológico, o homem experimenta mudanças nos sistemas cardiovascular, digestivo, respiratório e nervoso, todas elas com profunda repercussão no seu comportamento em geral. O isolamento social e a solidão a que a pessoa idosa está sujeita, em muitos casos, é grande responsável pelo senso de inutilidade comum às pessoas idosas.
       Deparamo-nos assim com diversos fatores conceituais, entre eles destacamos:
– A idade para o estabelecimento desta situação não coincide nem em todos os países nem em todas as culturas;
– O envelhecimento é um fenómeno natural, inerente à finitude biológica do organismo humano, mas é um processo diferencial em cada um de nós;
– Envelhecimento é: cronológico – idade objetiva; biológico – molecular, celular, orgânico, estrutural e funcional.
        À medida que as pessoas envelhecem, aumenta de forma gradual o risco de adoecerem e de ter dificuldades funcionais motoras e sensoriais (entre outras); os indivíduos sentem-se mais fatigados e tornam-se mais lentos.
        Segundo Mataix(3) (2002), sob o ponto de vista funcional, velhice é quando se produz pelo menos 60% das funções fisiológicas atribuíveis à idade ou capacidade reduzida de manter a homeostase(4).
         O envelhecimento é uma preocupação que sempre esteve presente na história da civilização. Podemos exemplificar através dos textos do antigo Egito, referencias de 2.890 a.C., de autoria do médico e arquiteto Imhotep(5). O símbolo da medicina, originário da Mesopotâmia, o “Caduceu”, é representado por serpentes que significam também a preocupação com o rejuvenescimento.
         Embora o envelhecimento tenha sido estudado por muitos, no decorrer de nossa história, somente com o livro Gerontocomia(6), de autoria do médico Gabriel Zerbi (1468-1505), começaram a ser produzidos artigos e livros específicos sobre envelhecimento. 
Não há dúvidas quanto o crescimento da população de idosos em todo o mundo. Em termos percentuais, esta faixa estaria já ultrapassa 9%, o que corresponde a 15 milhões de idosos acima de 60 anos.
         Em 2020 a população mundial de idosos é estimada em 1,2 bilhões; no Brasil a estimativa é de 30 milhões(7), e esse aumento na longevidade tem como principais causas os avanços tecnológicos, principalmente na área médica, com o desenvolvimento de vacinas, remédios e equipamentos, aliados a uma melhor condição de vida. A grande maioria dos idosos hoje mantêm um estilo de vida ativo, aderindo à prática do exercício físico regular.
“O aumento da expectativa de vida e do contingente de idosos é um fenômeno mundial. Os avanços médicos e tecnológicos vêm propiciando o aumento considerável tanto na expectativa de vida da população, quanto na queda da taxa de natalidade”.
       Ao se falar em envelhecimento, porém, seria hipocrisia não ter consciência de que a morte é inevitável, e nesse sentido a religião pode ser um dos fatores mais importantes na vida de uma pessoa idosa, ajudando-a neste processo do envelhecer e preparando-a para a continuidade persistente do “eu”, significando que o “eu” deve se desenvolver rumo à maturidade, aprimorando sua autopercepção, experiência que capacita a mente a projetar-se no mundo exterior e que resulta numa vida de atividade criativa, habilidade de mudar e modificar-se, capacidade de adaptação, adquirindo uma visão global da vida, que implica na compreensão tanto da temporalidade quanto da eternidade da vida.
         À luz dessa visão, a existência humana tende a ser vista como um contínuo mais ou menos independente do corpo “material”, o que faz da realidade da morte uma matéria secundária. A fé de um homem pode ajudá-lo na formulação de uma filosofia de vida que determinará sua atitude para com o seu próprio envelhecer e para com sua própria morte.
Victor Hugo brilhantemente nos brinda com a frase: 
      “Quando eu descer à sepultura, afirmarei, como muitos outros: ‘Terminei meu dia de trabalho’. Mas não posso afirmar: ‘Terminei minha vida’. Meu trabalho começará de novo na manhã seguinte. A tumba não é uma viela; é uma passagem livre. Fecha-se ao lusco-fusco; abre-se ao romper da alva.”(9) 
       Para a Doutrina Espírita o ciclo o da vida se altera constantemente: nascer, crescer, amadurecer, envelhecer, morrer e “renascer”. Eis o que nos diz o Espiritismo. A morte é apenas um momento no infinito de nossas existências. Essa afirmativa dá um golpe sério no conceito tradicional de morte.
      “Quando o Júri de Atenas condenou Sócrates à morte em vez de lhe dar um prêmio, sua mulher correu aflita para a prisão, gritando-lhe: “Sócrates, os juízes te condenaram à morte”. O filósofo respondeu calmamente: “Eles também já estão condenados”. A mulher insistiu no seu desespero: “Mas é uma sentença injusta!” E ele perguntou: “Preferias que fosse justa?” A serenidade de Sócrates era o produto de um processo educacional: a educação para a morte.”(10)
        Na concepção espírita da vida, a morte não é morte: é apenas passagem de um plano da vida para outro.
        “Kardec lembrou que, se somos seres humanos, de natureza espiritual, temos também o ser do corpo, que mesmo na metamorfose da morte é vida e movimento. A concepção estática das coisas é uma ilusão sensorial. A Física atual abandonou a concepção material do Universo. Vivemos em espírito e pelo espírito, desde a pedra até o anjo.”(11)
Sob esse prisma lembramos a famosa frase: 
      “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”.(12)


1. Termo apareceu pela 1a vez nos dicionários em 1895, quando a expectativa de vida começou a se prolongar.
2. PAPALIA, DE; OLDS, SW; FELDMAN, RD. Desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artmed; 2006.
3. LAWRENCE, N., WOODERSON, S., MATAIX-COLS, D., DAVID, R., SPECKENS, A., PHILLIPS, M., (2002). Decision aking and set shifting impairments are associated with distinct symptom dimensions in obsessive-compulsive disorder. Neuropsychology, 20(4), 409-419.
4. Equilíbrio entre mente e corpo.
5. Imhotep (por vezes grafado Immutef, Im-hotep ou Ii-em-Hotep; É considerado o primeiro arquiteto, engenheiro e médico da história antiga.
6. Fonte: NETO, M. PONTE, J. Envelhecimento: Desafio na transição do século. In: NETTO, Matheus Papaléo. Gerontologia. São Paulo. Ed. Atheneu.1996.
7. Fonte: Porto. Longevidade: Atividade Física e Envelhecimento. Maceió: EDUFAL, 2008. 
8. FREITAS, E. V. (2004) Demografia e epidemiologia do envelhecimento. In: L. Py, J. L.Pacheco & S. N Goldman. Tempo de envelhecer: percursos e dimensões psicossociais. pp. 19-38. Rio de Janeiro: Nova Editora.
9. MARIOTTI, Humberto. Victor Hugo espírita. São Paulo, Correio Fraterno, 1989.
10. PIRES. J. Herculano. Educação para a Morte. São Paulo, Correio Fraterno do ABC, 1984.
11. ________. Ciência Espírita e suas Implicações Terapêuticas. Paideia, São Paulo, 1981.
12. Epitáfio no túmulo de Kardec no Cemitério PèreLachaise, na capital francesa.

Conteúdo retirado da revista O Clarim do mês novembro 2013
Posted by Centro Espírita Grupo Fraternidade e Luz

A Ciência e a Fé




       Os homens que fazem avançar o progresso humano através da Ciência também são homens de fé que um dia inevitavelmente encontrarão Deus através de suas pesquisas. Acredito que os mais sinceros em suas buscas, que não extrapolam do bom senso e da ética, irão encontrá-lo antes de muitos religiosos, pois, além de alargarem os horizontes do conhecimento, estarão interagindo com as obras de Deus ao se entregarem às pesquisas da natureza humana, planetária e cósmica. 
     Quantos benefícios trouxeram para a humanidade essas maravilhosas inteligências que passaram muitas noites insones concentradas em suas teses e experimentações, das quais resultaram as grandes descobertas que dilataram o bem-estar e aumentaram as perspectivas de sobrevivência do ser humano ante as epidemias e doenças que antes ceifavam milhões de vidas.
     As experiências científicas, que hoje assombram as mentes distraídas da realidade, assinalam um novo caminho para o encontro do homem com Deus, encontro antes oferecido exclusivamente por religiões que, em sua maioria, fracassaram e continuam fracassando ao criar obstáculos dogmáticos entre o Criador e a criatura.
     No campo da Física, os cientistas, em seus arrojados experimentos, que já começaram a esbarrar nas fronteiras entre a realidade do espírito e a realidade da matéria, em breve terão de rever seus conceitos e reconhecer a existência de um Criador.
Albert Einstein, em seus pensamentos, demonstra ter esbarrado nessas fronteiras, quando afirma: “A Ciência nos afasta de Deus, mas a Ciência pura nos aproxima de um Criador”.
Ele soube reconhecer que a Lei de Causa e Efeito não é apenas uma lei da Física, mas sim uma lei que também atua nas questões morais respondendo as ações humanas. 
Seguro dessa realidade, afirmou: “O sábio, consciente da Lei de           Causalidade de qualquer acontecimento, decifra o futuro e o passado, que estão submetidos às mesmas regras de necessidade e determinismo. Sua religiosidade consiste em espantar-se e extasiar-se diante da harmonia das leis da natureza, revelando uma inteligência tão superior que todos os pensamentos humanos e todo seu talento não podem desvendar. Esse sentimento desenvolve a regra dominante da sua vida, de sua coragem, na medida em que supera a escravidão dos desejos egoístas”. 
      Sem dúvida, Einstein encontrou Deus através da Ciência e abriu um amplo caminho que a colocou na direção do transcendente.
Ao estabelecer que toda matéria é um punhado de energia condensada, deu um passo além da materialidade: Se a matéria é a energia que se condensa, que tipo de energia se condensa em matéria orgânica imbuída de inteligência? Nós, espíritas, sabemos que o espírito é energia. Teria ele reconhecido a existência de uma energia inteligente, ou seja, o princípio inteligente que anima os seres vivos, faltando-lhe, entretanto, coragem para proclamar essa descoberta? Ou sua missão era apenas construir uma conexão entre a Ciência e a Fé?
      Embora não tenha proclamado sua descoberta em torno do transcendente, Einstein, em um de seus pensamentos filosóficos, deixa um vestígio que revela ter conhecimento de que o ser humano é algo mais do que apenas matéria orgânica: “Cada um de nós vem para uma breve visita. Do ponto de vista da vida cotidiana, entretanto, existe uma coisa que precisamos saber: o homem está aqui para o bem dos homens. Acima de tudo, por aqueles de cujo sorriso depende a nossa própria felicidade. E também pelas intocáveis almas desconhecidas com quem nossos destinos estão ligados pelos laços de simpatia”.
       É óbvio que alguém que vem para uma breve visita, terá de voltar para o lugar de onde veio; pelo menos é o que se depreende dessa afirmação. Um materialista teria dito apenas: “Nascemos para viver uma breve vida”. Podemos, então, perceber que ele compreendia que o ser humano preexiste à matéria e que veio de algum lugar, para onde deverá voltar.
      Prosseguindo: “Intocáveis almas desconhecidas com quem nossos destinos estão ligados pelos laços de simpatia”: Ora, como podemos estar ligados por laços de simpatia com almas desconhecidas? E por que intocáveis? Será que ele conseguia sentir a presença de uma força exterior que o inspirava, reconhecendo-a como almas ligadas a ele por laços de simpatia? Só assim esse pensamento faria sentido. Talvez por isso tenha afirmado em um dos seus pensamentos: “Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio e eis que a verdade se me revela”.
       São hipóteses que merecem crédito. Quem, em sã consciência, poderá afirmar que Einstein não transcendeu à ciência materialista? Com certeza, ele abriu um grande precedente para o surgimento da ciência pura a que se refere. Ou seja, uma ciência alinhavada na compreensão da existência de um Criador Supremo.
      Depois do trabalho desse magnífico cientista que se tornou um ícone da ciência moderna, podemos ter certeza de que o trabalho de Allan Kardec irá transcender aos séculos futuros, norteando as atividades humanas no campo da Ciência, da Filosofia e da Religião. Deve ser compreendido pelos espíritas como a maior descoberta científica da natureza ampla e profunda do ser humano, a ser propagada na essência tal qual nos foi revelada pelos Espíritos Superiores.
      Muitos cientistas depois de Kardec debruçaram-se sobre essa grande descoberta, limitando-se, contudo, a estudar apenas os fenômenos produzidos pela mediunidade, sem cuidarem das características filosóficas que envolvem os ensinamentos e as revelações dos espíritos superiores. Alguns se dobraram ante a comprovação dos fenômenos mediúnicos, prestando valioso serviço ao Espiritismo. Porém, nada de importante fizeram no intuito de oferecer um embasamento dos conceitos filosóficos fundamentados nas leis naturais e divinas reveladas, as quais presidem a realidade espiritual da vida. Não descortinaram as razões profundamente científicas pelas quais o ser humano deve optar para sua efetiva transformação ética e moral espelhadas nos conceitos filosóficos do Evangelho, até então tão desprezado pela Ciência.
        Com Einstein foi diferente. Ele não se deixou influenciar pelos preconceitos característicos da Ciência contemporânea. Em vez disso, deu a devida importância às questões filosóficas suscitadas pelas suas experiências e descobertas e formulou pensamentos bastante afinados com os conceitos filosóficos do Espiritismo. Por exemplo, percebe-se uma incrível similitude neste pensamento: “A meu ver, portanto, a Ciência não só purifica o impulso religioso do entulho de seu antropomorfismo, como contribui para uma 'espiritualização' religiosa de nossa compreensão da vida. 

      Quanto mais avança a evolução espiritual da humanidade, mais certo me parece que o caminho para a religiosidade genuína não passa pelo medo da vida, nem pelo medo da morte, ou pela fé cega, mas pelo esforço em busca do conhecimento racional. Neste sentido, acredito que o sacerdote, se quiser fazer jus a sua 'sublime' missão educacional, deve tornar-se um professor”. 
     Sem dúvida, o trabalho de ambos encurtou a distância que separa a Ciência da Fé! Kardec foi o cientista da alma; Einstein deu alma à Ciência.

- EINSTEIN, Albert. Ciência e Religião. Título original: "Out of my later years”.
- Escritos da Maturidade: artigos sobre ciência, educação, relações sociais, racismo, ciências sociais e religião. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1994.

-Reportagem retirada do jornal O Clarim.
_Imagem retirada do Google.
sábado, 21 de dezembro de 2013
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